
A Black Friday e o Natal representam oportunidades para os supermercados aumentarem as vendas, conquistando novos clientes e ampliando a participação dos canais digitais. Mas o crescimento da demanda também coloca à prova a capacidade das redes de manter as gôndolas abastecidas, evitar rupturas e atender aos pedidos online sem comprometer a operação das lojas físicas.
O tamanho desse desafio aparece nas projeções da DHL Supply Chain, que prepara sua maior operação de fim de ano no Brasil. A companhia espera movimentar mais de 37 milhões de unidades no e-commerce durante a temporada, volume 19% superior ao de um mês convencional. Para isso, está ampliando sua estrutura logística e prevê a contratação de aproximadamente 2.600 profissionais temporários, reforço de 38% nas equipes.
Com mais de 20 operações de comércio eletrônico no País, a empresa atende segmentos como alimentos, beleza, moda, eletroeletrônicos e artigos esportivos. O planejamento considera não apenas o aumento das vendas, mas também uma mudança no perfil dos pedidos.
Nas operações que integram vendas para empresas (B2B) e consumidores finais (B2C), a participação dos pedidos destinados diretamente ao consumidor passa de 15% em meses convencionais para 28% durante a Black Friday e o Natal. Na prática, isso exige mais separações individuais, embalagens e entregas para diferentes endereços.
Para os supermercados que trabalham com vendas digitais, essa dinâmica reforça a importância de integrar estoques, equipes e canais de atendimento. Um produto disponível na gôndola, por exemplo, precisa ter sua
disponibilidade corretamente refletida no aplicativo ou site da rede. Caso contrário, a venda pode resultar em substituições, cancelamentos e insatisfação do cliente. “O desempenho nos períodos de pico depende da eficiência entre equipes, tecnologia e transporte, e o nosso planejamento busca antecipar gargalos e direcionar os recursos para as etapas que desativam maior capacidade, dando aos clientes mais previsibilidade para atender à demanda”, afirma Solon Barrios, vice-presidente de Varejo e E-commerce da DHL Supply Chain.
Tecnologia para reduzir gargalos
Para dar conta do crescimento dos pedidos, a DHL está incorporando robôs que auxiliam na separação de mercadorias e importam os deslocamentos dos operadores nos armazéns. Também utiliza a leitura automática de etiquetas, que identifica dados como CEP, número do pedido e transporte, agilizando o rastreamento das encomendas.
A companhia ampliou ainda sua DHL Fulfillment Network, formada por cinco centros de distribuição em Cajamar e Jandira (SP), Brasília (DF), Serra (ES) e Extrema (MG). Juntas, as unidades somam mais de 35 mil metros quadrados, crescimento de 67% na área de armazenamento em relação a 2025.
A estrutura oferece serviços de gestão de pedidos, integração com marketplaces, armazenamento, separação e distribuição nacional. Para varejistas que desejam ampliar as vendas digitais, o modelo compartilhado pode reduzir a necessidade de investimentos próprios em infraestrutura e ajustes que permitam a capacidade conforme a demanda.
Na etapa final das entregas, a empresa utiliza uma plataforma que reúne transportadoras e rotas em uma central de controle, permitindo escolher sobre acordo com custo, prazo e capacidade operacional.
O que muda na operação do supermercado?
Embora a operação logística varie conforme o formato de cada rede, o aumento das vendas digitais traz desafios que começam no planejamento comercial. As promoções precisam estar homologadas à capacidade de abastecimento, especialmente em categorias de maior giro e produtos sazonais.
Outro ponto é a separação dos pedidos. Em supermercados que utilizam o estoque da própria loja para atender ao e-commerce, o crescimento das compras online pode aumentar a circulação de operadores pelos corredores e disputar com os consumidores presenciais. Dimensionar equipes e organizar horários de separação ajuda a reduzir esses conflitos.
A gestão dos perecíveis também exige atenção. Diferentemente de outras categorias, os alimentos refrigerados e congelados dependem de condições específicas de armazenamento e transporte, o que torna o cumprimento dos prazos ainda mais importante.
Há também o impacto financeiro. Falhas de estoque, pedidos incompletos, substituições e entregas mal planejadas podem aumentar os custos operacionais e comprometer a rentabilidade das promoções. Por isso, vender mais nem sempre significa obter melhores resultados se a logística não acompanhar o crescimento da demanda.
"A Black Friday e o Natal representam uma oportunidade de conquistar clientes e fortalecer a relação com quem já compra da marca. Para aproveitar esse potencial, os varejistas precisam sustentar a promessa comercial com uma execução consistente", conclui Barrios.
FONTE: SUPER VAREJO 26/10/26
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